Porto Nacional, no Tocantins, construiu sua trajetória a partir da relação com o Rio Tocantins. A cidade se desenvolveu como ponto de passagem, comércio e circulação de pessoas em uma região marcada pela exploração do ouro e pela formação dos primeiros núcleos urbanos do norte da antiga Província de Goiás.
O centro histórico de Porto Nacional foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2008. A área protegida reúne cerca de 250 edificações, além de ruas, largos, praças e trechos do entorno da Catedral Nossa Senhora das Mercês. O conjunto preserva referências arquitetônicas que vão do período de formação do município até a década de 1960. (gov.br)
Uma cidade formada pelo ouro e pela navegação
A ocupação da região ganhou impulso no século XVIII, quando a descoberta e a exploração de ouro atraíram mineradores, tropeiros, comerciantes e viajantes. O local onde hoje está o núcleo histórico de Porto Nacional também era utilizado para a travessia do Rio Tocantins, em embarcações associadas ao português Félix Camôa, considerado um dos primeiros moradores do povoado.
Em 1738, surgiu Porto Real, núcleo que se beneficiou da posição estratégica entre os povoados mineradores de Pontal e Carmo, atual Monte do Carmo. O comércio e a navegação ajudaram a consolidar a localidade como entreposto regional. Em 1831, Porto Real foi elevado à categoria de vila e passou a se chamar Vila de Porto Imperial.
Durante o século XIX, a navegação pelo Rio Tocantins ampliou a ligação da cidade com outras áreas do país. Em 1861, o município recebeu o título de cidade e adotou o nome Porto Nacional. A circulação de mercadorias em direção ao norte, inclusive com conexão a Belém, contribuiu para o crescimento econômico e urbano da localidade. (gov.br)
Marcas da presença dominicana
Parte importante do patrimônio de Porto Nacional está relacionada à chegada dos religiosos dominicanos, em 1886. A atuação da ordem influenciou a construção de igrejas, edifícios religiosos, espaços públicos e residências que ainda compõem a paisagem do centro histórico.
O principal símbolo desse período é a Catedral Nossa Senhora das Mercês. Construída entre 1894 e 1904, a igreja foi erguida em pedra e tijolos, com referências ao estilo românico de Toulouse, na França, região associada à origem dos freis dominicanos responsáveis pela obra. Imagens sacras e outros elementos foram trazidos da França e de Belém do Pará.
Também integram o conjunto protegido o Seminário São José, antigo Convento Santa Rosa de Lima, a Prefeitura Velha, o Arquivo Municipal, o Caetanato, o Colégio Sagrado Coração de Jesus, o antigo Abrigo João XXIII e a Biblioteca Municipal Eli Brasiliense. O Museu Histórico Cultural de Porto Nacional reúne acervo relacionado à história da cidade e do Tocantins, com referências aos séculos XIX e XX. (gov.br)
Preservação da memória urbana
O tombamento federal reconhece o valor histórico, arquitetônico e paisagístico de Porto Nacional. Mais do que proteger prédios isolados, a medida considera a relação entre as construções, o traçado das ruas, os espaços públicos e a paisagem associada ao Rio Tocantins.
Esse conjunto permite compreender como a mineração, o transporte fluvial, a atividade comercial e a presença religiosa participaram da formação da cidade. Em Porto Nacional, a preservação do patrimônio mantém visíveis diferentes etapas da ocupação do território e reforça a importância do município na história do Tocantins.