O capim-dourado do Tocantins se tornou um dos principais símbolos do artesanato brasileiro. A matéria-prima, encontrada em áreas úmidas do Cerrado, é usada na produção de bolsas, cestos, vasos, mandalas, bijuterias e objetos de decoração. O brilho natural das hastes, semelhante ao ouro, é uma das características que fizeram o trabalho ganhar destaque entre moradores e visitantes do estado.
O artesanato é especialmente associado à região do Jalapão e à comunidade quilombola de Mumbuca, no município de Mateiros. A técnica é transmitida entre gerações e utiliza, além do capim-dourado, a chamada seda do buriti, fibra empregada para costurar e dar acabamento às peças.
O que é o capim-dourado
Apesar do nome popular, o capim-dourado não é uma gramínea. Trata-se de uma planta sempre-viva da espécie Syngonanthus nitens, da família Eriocaulaceae. Ela cresce em campos úmidos próximos a veredas e apresenta hastes finas com coloração dourada.
A planta é encontrada em diferentes áreas do Cerrado, mas o Jalapão concentrou o desenvolvimento de uma tradição artesanal própria. Registros oficiais indicam que o conhecimento da produção foi incorporado pelas comunidades locais e preservado ao longo do tempo, com influência indígena e participação de comunidades quilombolas.
Por que o artesanato é importante para o Tocantins
Além do valor cultural, o artesanato representa fonte de renda para famílias de municípios do Jalapão e de outras regiões tocantinenses. A atividade também contribui para o turismo, já que muitos visitantes procuram peças produzidas por artesãos locais como lembrança da viagem.
O reconhecimento ultrapassa a divulgação turística. O artesanato em capim-dourado da região do Jalapão recebeu, em 2011, o registro de Indicação de Procedência do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que relaciona a produção ao território e à sua origem. Em 2024, a Lei nº 15.005 reconheceu o artesanato em capim-dourado como manifestação da cultura nacional.
Como comprar uma peça de forma responsável
Ao adquirir um produto, dê preferência a artesãos, associações comunitárias e estabelecimentos que informem a origem da peça. Pergunte quem produziu o objeto, de qual localidade ele veio e quais materiais foram utilizados. Essa prática ajuda a valorizar o trabalho das comunidades e a reduzir a circulação de produtos sem procedência clara.
Também é importante observar o acabamento. O capim deve estar bem costurado, sem hastes soltas ou sinais de umidade. Peças artesanais podem apresentar pequenas diferenças de forma, cor e tamanho, características próprias do trabalho manual.
Cuidados com a conservação
Para aumentar a durabilidade, mantenha o artesanato em local seco, ventilado e protegido da chuva e do excesso de umidade. Evite dobrar bolsas e cestos por longos períodos, apoiar objetos pesados sobre as peças ou deixá-las expostas diretamente ao sol por tempo prolongado.
A extração da matéria-prima deve respeitar regras de manejo e o ciclo da planta. O uso sustentável é essencial para preservar os campos úmidos do Cerrado e garantir que a atividade continue beneficiando as comunidades produtoras. Mais informações sobre a origem e a proteção do produto podem ser consultadas na lista de Indicações Geográficas do INPI.