sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Dia a Dia

Capim-dourado gera renda e preserva tradição de comunidades do Jalapão

O artesanato de capim-dourado é uma das principais fontes de renda para comunidades do Jalapão, no Tocantins. A atividade também preserva conhecimentos tradicionais e impulsiona o turismo regional.

O capim-dourado gera renda para comunidades do Jalapão, no Tocantins, por meio de um artesanato que combina tradição, identidade cultural e aproveitamento sustentável do Cerrado. A planta, conhecida cientificamente como Syngonanthus nitens, é usada na produção de bolsas, cestos, mandalas, bijuterias, objetos decorativos e outros itens feitos manualmente.

A atividade tem importância econômica especialmente para comunidades tradicionais e quilombolas da região. Além de garantir ganhos para artesãos e extrativistas, o trabalho mantém conhecimentos transmitidos entre gerações e contribui para a permanência das famílias no território. O Ministério do Turismo identifica o artesanato de capim-dourado como uma das principais fontes de renda das comunidades locais. (gov.br)

Tradição criada no Jalapão

A produção artesanal ganhou destaque a partir da comunidade quilombola Mumbuca, no município de Mateiros. Segundo registros oficiais, moradores aprenderam técnicas de trançado com povos indígenas e passaram a desenvolver peças inicialmente destinadas ao uso cotidiano, como chapéus, cestas e utensílios.

Com o tempo, o conhecimento se espalhou por outros povoados do Jalapão. A divulgação do artesanato, especialmente a partir da década de 1990, ampliou a comercialização e aproximou os produtos de feiras, lojas e turistas de diferentes partes do país. A artesã Guilhermina Ribeiro da Silva, conhecida como Dona Miúda, é apontada como uma das responsáveis pela difusão da técnica na região. (gov.br)

Artesanato movimenta a economia local

O capim-dourado é costurado, em geral, com a chamada seda de buriti, fibra retirada das folhas da palmeira típica do Cerrado. O processo transforma uma matéria-prima encontrada nas veredas em produtos de maior valor agregado, beneficiando artesãos, associações comunitárias, comerciantes e empreendedores ligados ao turismo.

Estudos acadêmicos apontam que o extrativismo e o artesanato têm papel relevante na geração de trabalho e renda no Jalapão. A atividade também funciona como vitrine para as tradições locais, já que muitos visitantes conhecem as comunidades por meio das peças e das histórias associadas à sua produção. (new.scielo.br)

Em 2011, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial concedeu ao artesanato da Região do Jalapão uma Indicação Geográfica na modalidade indicação de procedência. O reconhecimento ajuda a associar a origem territorial às peças e pode contribuir para a valorização do trabalho realizado pelas comunidades. (gov.br)

Renda depende de preservação

A expansão do mercado aumentou a importância econômica do capim-dourado, mas também reforçou a necessidade de controlar a coleta e proteger os campos úmidos onde a planta se desenvolve. Pesquisas destacam que o manejo inadequado, a retirada por pessoas não autorizadas e o uso incorreto do fogo podem ameaçar a sustentabilidade da atividade.

O manejo tradicional do fogo pode favorecer a floração do capim-dourado em determinadas condições, mas seus efeitos precisam ser avaliados em conjunto com a conservação do solo, da fauna e de outras espécies do Cerrado. Por isso, órgãos ambientais e pesquisadores defendem regras de coleta, monitoramento e participação das comunidades nas decisões sobre o uso da matéria-prima. (educapes.capes.gov.br)

Assim, o capim-dourado representa mais do que uma fonte de renda. Ele reúne atividade econômica, patrimônio cultural e conservação ambiental. Para que esse ciclo continue, o crescimento das vendas precisa estar associado à valorização dos artesãos, ao fortalecimento das associações e ao respeito às regras de manejo do território.