O capim-dourado do Tocantins se tornou uma das principais referências culturais e econômicas do estado. Encontrada em áreas úmidas do Cerrado, especialmente nas veredas do Jalapão, a planta é usada na produção de bolsas, vasos, cestos, chapéus, brincos, pulseiras, descansos de mesa e outros objetos artesanais.
Além de valorizar o trabalho de artesãos e comunidades tradicionais, a atividade ajudou a projetar a identidade do Tocantins no Brasil e no exterior. Em 2024, o artesanato em capim-dourado foi reconhecido por lei como manifestação da cultura nacional. (planalto.gov.br)
Origem do artesanato
O capim-dourado é uma sempre-viva da espécie Syngonanthus nitens, pertencente à família Eriocaulaceae. A planta cresce em campos úmidos próximos a veredas e chama atenção pela coloração dourada das hastes.
A tradição artesanal do Jalapão é associada à comunidade quilombola de Mumbuca, no município de Mateiros. Registros culturais indicam que o conhecimento sobre a costura do capim foi transmitido por indígenas Xerente aos moradores da comunidade e, depois, repassado entre gerações. (casadamoeda.gov.br)
Na confecção, as hastes secas são costuradas com fios retirados da seda de buriti, outra matéria-prima tradicional das veredas. A combinação dos dois materiais permite criar peças leves, resistentes e com acabamento característico.
Como o capim-dourado é utilizado
O artesanato pode ter função decorativa, utilitária ou ornamental. Entre os produtos mais comuns estão acessórios pessoais, como brincos, colares, pulseiras e bolsas, além de objetos para a casa, como cestos, vasos, potes e sousplats.
O trabalho artesanal também representa uma fonte de renda para famílias e associações comunitárias. Por isso, a compra de peças diretamente de artesãos ou de organizações ligadas à produção tradicional pode contribuir para a circulação de recursos nas comunidades produtoras.
Manejo sustentável é obrigatório
A coleta do capim-dourado segue regras estaduais para evitar o desaparecimento da planta e preservar as áreas de ocorrência. A legislação determina que sejam retiradas hastes maduras, sem o desenraizamento da roseta. A parte subterrânea deve permanecer no solo para permitir a continuidade do ciclo da espécie.
Na região do Jalapão, o período regulamentado para a coleta ocorre de 20 de setembro a 30 de novembro. A norma também estabelece cuidados para manter parte dos recursos naturais no ambiente e evitar a sobre-exploração. (central.to.gov.br)
Quem pretende coletar, manejar ou transportar capim-dourado para produzir artesanato deve observar as exigências do Instituto Natureza do Tocantins, o Naturatins. O órgão informa que autorizações podem ser destinadas a artesãos vinculados a associações ou cooperativas, agricultores familiares e proprietários rurais, conforme o caso. (sigam.to.gov.br)
Cuidados ao comprar uma peça
Ao adquirir produtos de capim-dourado, o consumidor pode perguntar sobre a origem da matéria-prima e dar preferência a peças produzidas por artesãos, associações ou cooperativas identificadas. Também é importante desconfiar de produtos que apresentem aparência muito diferente do material tradicional ou que sejam vendidos como capim-dourado sem informações sobre procedência.
Preservar essa cadeia produtiva envolve valorizar o conhecimento das comunidades, respeitar as regras de coleta e reconhecer que cada peça reúne elementos naturais, culturais e econômicos do Tocantins.