As pequenas cidades do Tocantins preservam uma parte importante da história do Brasil Central. Antes da criação do estado, em 1988, muitos desses municípios pertenciam ao antigo norte de Goiás e se formaram a partir da mineração, da pecuária, do comércio pelos rios e da presença de diferentes povos.
Em ruas estreitas, igrejas antigas, ruínas e festas tradicionais, essas comunidades mantêm registros de períodos marcados pela exploração do ouro, pela ocupação territorial e por profundas transformações sociais. A história das pequenas cidades do Tocantins também revela a participação de populações indígenas, africanas e sertanejas na formação cultural da região.
Natividade nasceu durante o ciclo do ouro
Entre os exemplos mais conhecidos está Natividade, no sudeste do estado. A cidade surgiu em 1734, com o nome de Arraial de São Luiz, durante a expansão da mineração no Centro-Oeste. O povoado se desenvolveu aos pés da Serra de Natividade e chegou a ocupar posição de destaque entre os arraiais da Capitania de Goiás.
O conjunto histórico e paisagístico de Natividade foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1987. O município preserva o traçado urbano colonial, casarões, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Natividade, a Igreja de São Benedito e as ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Mais informações estão disponíveis no Iphan.
A paisagem urbana também registra a mudança da economia local. As construções mais simples estão relacionadas ao período da mineração, enquanto fachadas mais ornamentadas refletem a expansão da pecuária no século XIX. A produção de joias em filigrana, as celebrações religiosas e a culinária tradicional completam esse patrimônio cultural.
Arraias reúne mineração e antigos caminhos
Arraias também nasceu ligada à descoberta do ouro. A ocupação começou na região conhecida como Chapada dos Negros, onde escravizados fugitivos se refugiaram e passaram a explorar os veios auríferos. Na década de 1740, o arraial ganhou importância e foi transferido para uma área próxima, que deu origem à atual cidade.
Além da mineração, Arraias fazia parte das rotas de circulação de pessoas, animais e mercadorias entre diferentes áreas da Capitania de Goiás. Postos de fiscalização conhecidos como contagens controlavam o trânsito de gado e outros animais. Esse passado ajuda a explicar a posição estratégica do município nos caminhos do interior.
Tocantínia preserva a presença Xerente
No centro do estado, Tocantínia apresenta uma trajetória associada à presença do povo Xerente e à atuação de religiosos na região. A localidade recebeu diferentes nomes ao longo do tempo, até ser chamada de Tocantínia em 1936. A emancipação política ocorreu em 1953.
A formação do município está relacionada ao contato entre colonizadores, missionários e comunidades indígenas. Atualmente, a presença Xerente continua sendo um dos elementos centrais da identidade cultural local, expressa na organização comunitária, nos conhecimentos tradicionais e na relação com o território.
Memória que permanece no interior
As histórias de Natividade, Arraias e Tocantínia mostram que a dimensão histórica do Tocantins vai muito além da capital Palmas. Em municípios de menor porte, a memória permanece nos edifícios, nas paisagens, nas festas e nas narrativas transmitidas entre gerações.
Preservar esses registros significa reconhecer a diversidade de povos e atividades que contribuíram para a formação do estado. Também permite compreender como os ciclos econômicos e os deslocamentos pelo interior deixaram marcas duradouras na cultura tocantinense.