sábado, 26 de setembro de 2026
CIDADES

Pedro Afonso: agricultura e história se encontram no interior do Tocantins

Pedro Afonso, no interior do Tocantins, combina uma trajetória histórica marcada pelo comércio fluvial e pela participação na criação do estado com uma economia ligada à agricultura, à pecuária e à produção em larga escala.

Pedro Afonso, no interior do Tocantins, reúne dois elementos que ajudam a explicar sua importância regional: uma história marcada pelo comércio, pelos rios e pela participação em movimentos políticos do antigo norte goiano, e uma economia cada vez mais ligada à agricultura e à pecuária.

Localizado na confluência dos rios Tocantins e Sono, o município tinha população de 14.055 habitantes no Censo 2022, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A área territorial é de 2.019,556 quilômetros quadrados. (ibge.gov.br)

Uma história formada às margens dos rios

A formação de Pedro Afonso remonta a 1847, quando o frei Rafael Taggia participou da fundação do núcleo que daria origem ao município. A localidade era conhecida anteriormente como Travessa dos Gentios e tinha presença indígena, especialmente de grupos Xavantes, de acordo com o histórico divulgado pela prefeitura.

Ao longo do século 19 e das primeiras décadas do século 20, a posição entre os rios favoreceu a circulação de pessoas e mercadorias. O Rio Sono funcionava como rota de ligação com outras áreas do interior, enquanto Pedro Afonso se consolidava como ponto de comércio no sertão. Durante o ciclo da borracha do Araguaia, por volta de 1910, a cidade ganhou relevância como entreposto comercial.

Esse período de crescimento foi interrompido por conflitos e episódios de violência. A própria memória oficial do município registra que a localidade enfrentou ataques, destruição e deslocamento de moradores antes de retomar gradualmente a estabilidade.

Da emancipação à identidade tocantinense

O município foi elevado à condição de cidade em 1938, conforme registro do IBGE. A prefeitura também destaca que Pedro Afonso teve participação na mobilização pela criação do Tocantins. Em 1940, um comitê voltado à criação de um território federal teria sido instalado na cidade, reforçando o papel político do município no debate sobre a divisão do então estado de Goiás. (pedroafonso.to.gov.br)

A localização geográfica ajudou a alimentar a ideia de que Pedro Afonso poderia ocupar uma posição central na organização administrativa da futura unidade federativa. Embora o projeto não tenha se concretizado, o episódio permanece como parte da identidade histórica local.

A agricultura como eixo econômico

Na economia contemporânea, a produção rural ocupa lugar de destaque. Estudos sobre o meio rural de Pedro Afonso apontam a presença de culturas como cana-de-açúcar e soja, além da bovinocultura. A expansão agrícola também foi favorecida pela disponibilidade de água, pela abertura de acessos rodoviários e pela integração do município a uma área produtiva do estado. (journalppc.com)

A agricultura irrigada também faz parte desse cenário. Pesquisas acadêmicas identificam o uso de pivôs centrais em áreas produtivas, uma tecnologia que permite ampliar a regularidade do cultivo e utilizar grandes volumes de água. Esse avanço, porém, aumenta a necessidade de planejamento, fiscalização e preservação dos recursos naturais. (repositorio.uft.edu.br)

Entre produção, memória e paisagem

O desenvolvimento agrícola convive com referências históricas e ambientais. As margens dos rios Tocantins e Sono formam praias e áreas de lazer apontadas pela prefeitura como atrativos turísticos, enquanto o comércio e os serviços atendem moradores e produtores de municípios vizinhos.

Pedro Afonso, assim, preserva uma característica comum a cidades antigas do interior: a capacidade de transformar sua posição geográfica em caminho de desenvolvimento. No município, os rios que ajudaram a formar o povoamento continuam ligados à paisagem, à economia e à memória de uma comunidade que acompanha as mudanças do campo sem abandonar suas raízes.