Os povos Karajá no Tocantins preservam conhecimentos, práticas e formas de expressão transmitidos entre gerações. Parte do povo Iny, os Karajá, os Javaé e os Xambioá mantêm uma relação histórica com os rios Araguaia e Javaé, com as aldeias e com os territórios onde desenvolvem atividades culturais, sociais e econômicas.
Entre os principais elementos dessa herança estão a língua Inyrybè, a cerâmica, a pintura corporal, a arte plumária, o artesanato em madeira, a cestaria e festas tradicionais. Esses saberes não são apenas manifestações artísticas: também organizam formas de ensinar, conviver, contar histórias e fortalecer a identidade coletiva.
Ritxoko representa memória e identidade
Um dos símbolos mais conhecidos da cultura Karajá são as bonecas de cerâmica chamadas ritxoko, na fala feminina, ou ritxo, na fala masculina. As peças são modeladas e pintadas pelas ceramistas com grafismos tradicionais e podem representar pessoas, animais, cenas do cotidiano, mitos, cerimônias e diferentes momentos do ciclo da vida.
Segundo o Iphan, as bonecas têm função educativa e social. Por meio delas, as crianças entram em contato com referências da vida comunitária e aprendem aspectos da organização cultural Karajá. O modo de fazer ritxoko foi registrado como Patrimônio Cultural do Brasil em 2012.
A produção também tem importância econômica para muitas mulheres indígenas. A comercialização das peças pode contribuir para a geração de renda e para a autonomia das famílias, desde que respeite a autoria, os significados culturais e as formas de organização definidas pelas próprias comunidades.
Tradição é transmitida no convívio
A preservação dos saberes ocorre principalmente no cotidiano das aldeias, por meio da observação, da prática e da transmissão oral. Crianças e jovens aprendem com mães, pais, avós, anciãos e demais integrantes da comunidade a língua, os grafismos, as técnicas artesanais, os cantos, as histórias e os rituais.
O Governo do Tocantins identifica o povo Iny como formado por Karajá, Javaé e Karajá-Xambioá. Entre as manifestações tradicionais estão festas e rituais como o Hetohoky, conhecido como Casa Grande, o Aruanã, a Festa do Mel, o Itxeo e o Maarasi. A realização e o significado dessas práticas pertencem às comunidades e devem ser respeitados.
Como apoiar a preservação
Quem deseja contribuir pode começar buscando informações em fontes institucionais, como o Iphan no Tocantins e o Museu do Índio. Também é possível valorizar o trabalho de artesãos indígenas por meio da compra responsável de peças, priorizando canais indicados pelas próprias comunidades e reconhecendo a autoria dos objetos.
Visitas a aldeias, registros de imagens, participação em cerimônias e uso de informações culturais não devem ocorrer sem autorização. O respeito às regras locais, à privacidade e aos conhecimentos considerados restritos é parte essencial de qualquer relação com os povos indígenas.
Em 2025, o Iphan publicou um plano de salvaguarda para os modos de fazer bonecas Karajá e ritxoko. O documento reúne ações voltadas à transmissão dos saberes, ao acesso a matérias-primas, à comercialização e ao fortalecimento da participação comunitária na proteção desse patrimônio.
Preservar a cultura Karajá no Tocantins significa reconhecer que esses conhecimentos continuam vivos e pertencem aos seus detentores. A valorização deve ocorrer com escuta, respeito e participação dos próprios povos na definição das formas de divulgação e salvaguarda.