quinta-feira, 17 de setembro de 2026
ELEIÇÕES

Propaganda eleitoral no rádio e na TV ainda ajuda eleitores indecisos, avalia cientista político

A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV ainda exerce influência sobre eleitores indecisos, segundo avaliação do cientista político João Feres, professor da Uerj. Para o pesquisador, apesar da concorrência com redes sociais e aplicativos de mensagens, os meios tradicionais continuam importantes durante as eleições.
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A propaganda eleitoral no rádio e na TV continua relevante para eleitores que ainda não decidiram o voto. A avaliação é do cientista político João Feres, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em entrevista à Rádio Câmara. Segundo ele, embora o horário eleitoral tenha perdido parte do impacto nos últimos anos, os meios tradicionais ainda cumprem uma função importante na apresentação de propostas e candidatos.

A análise foi divulgada pela Agência Câmara em 15 de setembro de 2026, durante a cobertura das Eleições 2026. As inserções eleitorais em rádio e televisão permanecem no ar até três dias antes da votação. (camara.leg.br)

Horário eleitoral tem maior importância para indecisos

De acordo com João Feres, levantamentos que analisam o comportamento dos eleitores conforme suas preferências ideológicas indicam que a propaganda no rádio e na TV é especialmente importante para quem ainda está indeciso.

Esse grupo, segundo o cientista político, tende a buscar informações políticas para formar uma decisão. Nesse sentido, o horário eleitoral gratuito funciona como uma das ferramentas disponíveis para que os eleitores conheçam os candidatos, suas propostas e suas posições sobre temas de interesse público.

Um levantamento realizado antes do início da propaganda eleitoral pela Pesquisa BTG/Nexus mostrou que 68% dos eleitores pretendiam acompanhar os programas no rádio e na televisão. O dado foi citado na entrevista concedida à Rádio Câmara. (camara.leg.br)

Propaganda tradicional perdeu espaço, mas não desapareceu

A expansão das redes sociais e dos aplicativos de mensagens mudou a forma como as campanhas se comunicam com o eleitorado. Ainda assim, a propaganda eleitoral tradicional mantém uma característica própria: permite que partidos e candidatos apresentem mensagens em meios de comunicação de amplo alcance e dentro de regras específicas.

Na avaliação de Feres, os candidatos costumam adotar uma linguagem mais propositiva no rádio e na televisão, com menor presença de ataques diretos aos adversários. A estratégia seria diferente daquela observada em determinados ambientes digitais, nos quais conteúdos negativos podem circular com maior segmentação.

O pesquisador também afirmou que a comunicação varia de acordo com a plataforma. O Facebook teria maior alcance entre pessoas mais velhas, enquanto o Instagram seria mais utilizado por públicos jovens. Já mensagens negativas, segundo ele, aparecem com frequência em grupos fechados do WhatsApp.

Essa característica dificulta o acompanhamento público do conteúdo divulgado. Como as mensagens circulam em grupos privados, a identificação e a apuração de eventuais infrações eleitorais podem ser mais complexas, conforme a avaliação apresentada na entrevista. (camara.leg.br)

Redução do período de campanha é criticada

Outro ponto abordado por João Feres foi a redução do tempo de campanha e de propaganda eleitoral promovida pela minirreforma eleitoral de 2015. A Lei 13.165/2015 diminuiu de 45 para 35 dias o período de propaganda no rádio e na televisão. O tempo total das campanhas também foi reduzido de 90 para 45 dias.

Entre os objetivos declarados da mudança estava a redução dos gastos eleitorais. No mesmo período, empresas foram proibidas de doar recursos diretamente a candidatos e partidos.

Para Feres, porém, as alterações não produziram os efeitos esperados e prejudicaram a discussão pública sobre os rumos do país, dos estados e dos governos. Na avaliação dele, a diminuição do tempo disponível reduziu a exposição de candidatos com menor espaço de propaganda.

O cientista político também relacionou o debate ao financiamento eleitoral. Segundo sua análise, o fundo eleitoral passou a destinar mais recursos aos partidos, que precisam utilizá-los em um período mais curto. O material da entrevista, no entanto, não detalha valores específicos do fundo, a distribuição por partido ou os resultados financeiros das mudanças mencionadas.

Tempo de exposição influencia disputa eleitoral

O espaço disponível no horário eleitoral é distribuído conforme critérios previstos na legislação eleitoral. Na prática, candidatos e partidos com menos tempo enfrentam maior dificuldade para apresentar propostas e construir reconhecimento entre os eleitores.

Essa diferença ganha importância em eleições com grande número de candidaturas ou quando parte do eleitorado ainda não conhece os concorrentes. Para os indecisos, a propaganda pode servir como uma primeira fonte organizada de informação, embora não substitua a análise de propostas, o acompanhamento do debate público e a consulta a fontes confiáveis.

A avaliação apresentada por João Feres não significa que o rádio e a televisão tenham recuperado a influência que possuíam antes da expansão da internet. O ponto central é que esses meios continuam desempenhando um papel específico, sobretudo entre pessoas que procuram informações para decidir o voto.

Campanhas combinam rádio, TV e redes sociais

As eleições passaram a exigir estratégias integradas de comunicação. A propaganda eleitoral no rádio e na TV oferece alcance e previsibilidade, enquanto as redes sociais permitem segmentar mensagens e interagir diretamente com diferentes públicos.

Ao mesmo tempo, a diversidade de canais aumenta o desafio de fiscalização e verificação das informações. Conteúdos divulgados em plataformas abertas podem ser compartilhados rapidamente, enquanto mensagens distribuídas em grupos fechados são mais difíceis de monitorar.

Com a aproximação da votação, a disputa pela atenção do eleitor tende a ocorrer em várias frentes. Nesse cenário, o horário eleitoral gratuito permanece como um espaço institucional de apresentação de candidatos e propostas, especialmente para aqueles que ainda não definiram o voto.

Para acompanhar outras informações sobre as Eleições 2026, o eleitor pode consultar a página especial da Câmara dos Deputados e buscar dados oficiais sobre regras, candidaturas e propaganda eleitoral.

Fonte: Agência Câmara de Notícias