O Tocantins reúne, em um mesmo território, marcas de diferentes períodos da formação do Brasil. Cidades originadas no ciclo da mineração convivem com municípios que cresceram às margens do Rio Tocantins e com Palmas, uma capital construída a partir de um projeto urbano no fim do século 20.
Essa diversidade ajuda a explicar a identidade do estado, criado pela Constituição Federal de 1988 e instalado em 1º de janeiro de 1989. Ao longo do território, patrimônio histórico, paisagens do Cerrado e novas áreas urbanas formam um mosaico que vai além da imagem de uma região recente no mapa brasileiro.
Natividade preserva marcas do ciclo do ouro
Localizada na região sudeste do estado, Natividade tem origem no século 18. A formação do município está ligada à chegada de portugueses em busca de ouro e ao antigo Arraial de São Luiz. A cidade preserva construções religiosas, ruas e imóveis que remetem ao período colonial.
Entre os símbolos do município estão a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Natividade, associada à história local desde o século 18, e as ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário. O conjunto arquitetônico, paisagístico e urbanístico de Natividade foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1987, o que reconhece sua importância para a memória nacional. (natividade.to.gov.br)
Porto Nacional e a ligação com o Rio Tocantins
Porto Nacional representa outra etapa da ocupação do estado. A cidade se desenvolveu associada às rotas do Rio Tocantins, que durante décadas funcionaram como caminhos de circulação de pessoas, mercadorias e informações. Essa relação com o rio contribuiu para a formação de uma paisagem urbana marcada por atividades comerciais, religiosas e administrativas.
O centro histórico de Porto Nacional reúne edificações e espaços que ajudam a preservar essa trajetória. O conjunto foi reconhecido pelo Iphan como patrimônio cultural brasileiro em 2011. Além da dimensão histórica, o município mantém atrativos naturais e áreas de pesquisa relacionadas à arqueologia e ao meio ambiente. (portonacional.to.gov.br)
Palmas nasceu com planejamento urbano
Se Natividade e Porto Nacional refletem processos mais antigos de ocupação, Palmas simboliza a construção de uma nova capital. A cidade foi inaugurada em 20 de maio de 1989 e passou a exercer oficialmente a função de capital em 1º de janeiro de 1990, depois de um período em que Miracema do Tocantins ocupou provisoriamente essa condição.
O projeto de Palmas foi elaborado para organizar a expansão urbana a partir de grandes eixos viários, quadras residenciais e comerciais, áreas verdes e espaços destinados aos serviços públicos. A localização, entre a Serra do Carmo, a Serra do Lajeado e o Rio Tocantins, também influenciou a paisagem e o desenho da cidade.
Conhecida como a última capital planejada do século 20, Palmas combina avenidas largas, espaços públicos e áreas de lazer próximas ao lago formado pelo reservatório da Usina Hidrelétrica Luís Eduardo Magalhães. O resultado é uma cidade jovem, com características distintas das antigas localidades históricas do estado. (portal2013.palmas.to.gov.br)
Um estado de contrastes
As diferenças entre Natividade, Porto Nacional e Palmas mostram como o Tocantins foi construído por camadas. A mineração deixou igrejas, ruínas e traçados urbanos; o rio estimulou deslocamentos e relações comerciais; e a criação do estado impulsionou uma capital concebida para centralizar a administração e orientar o crescimento regional.
Conhecer essas cidades é acompanhar parte da formação tocantinense a partir de perspectivas distintas. Juntas, elas revelam um estado em que passado colonial, cultura ribeirinha, urbanismo moderno e paisagens do Cerrado convivem na mesma narrativa.