domingo, 11 de outubro de 2026
TECNOLOGIA

Seis competências formam a base profissional projetada para 2030

Levantamento destacado no relatório Core Skills in 2030 mostra que o perfil profissional esperado para os próximos anos combina domínio tecnológico, pensamento analítico, criatividade, adaptação e capacidade de liderança.
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O perfil profissional esperado para 2030 deverá reunir domínio de tecnologias, capacidade de adaptação e competências relacionadas à criatividade e à liderança. Essa é a principal indicação de um estudo do Fórum Econômico Mundial destacado no relatório Core Skills in 2030, que organiza as habilidades conforme a expectativa de empregadores ao redor do mundo.

O levantamento apresenta quatro grupos de competências: Habilidades Emergentes, Habilidades Essenciais para 2030, Habilidades Estáveis e Habilidades Fora de Foco. A divisão procura mostrar quais capacidades devem ganhar importância, quais continuarão relevantes e quais tendem a deixar de ser prioridade no desenvolvimento profissional.

O material foi publicado em 27 de março de 2025 e relaciona a transformação do mercado de trabalho ao avanço tecnológico, às mudanças sociais e às novas exigências do setor produtivo.

Seis competências aparecem como base do perfil profissional

Entre as habilidades classificadas como essenciais para 2030, o estudo destaca seis frentes que combinam conhecimento técnico, capacidade de análise e competências comportamentais. A primeira delas é a relação com inteligência artificial e big data.

Com a digitalização dos processos e a expansão da automação, o uso de ferramentas de inteligência artificial para analisar informações e apoiar decisões tende a se tornar mais comum. O conhecimento sobre essas tecnologias passa a ser apresentado como uma competência aplicável a diferentes áreas, e não apenas aos profissionais de tecnologia da informação.

O pensamento analítico e a criatividade formam outra frente central. A interpretação de dados, a solução de problemas complexos e a criação de novas alternativas são apontadas como capacidades valorizadas em um ambiente no qual parte das tarefas é executada por sistemas automatizados.

O estudo também inclui resiliência, flexibilidade e agilidade entre as habilidades que devem ganhar peso. A expectativa é que as mudanças frequentes no mercado exijam profissionais capazes de responder a novas demandas, lidar com desafios e ajustar sua atuação conforme as circunstâncias.

Liderança e alfabetização tecnológica ampliam o perfil esperado

A liderança e a influência social aparecem como competências importantes para a condução de equipes mais diversas e distribuídas. De acordo com o material, as organizações deverão buscar profissionais capazes de orientar e motivar grupos em ambientes remotos e multiculturais.

A alfabetização tecnológica é outra habilidade apresentada como requisito básico. O conceito envolve compreender o funcionamento e o uso de diferentes tecnologias, mesmo quando o profissional não atua diretamente em uma área de TI. Ferramentas digitais, softwares de automação e sistemas de análise de dados tendem a fazer parte da rotina de setores variados.

O conjunto das competências essenciais é completado por motivação e autoconsciência. O estudo relaciona essas capacidades à inteligência emocional, ao gerenciamento das próprias emoções e à disposição para manter o desempenho diante das mudanças.

Com isso, o perfil profissional projetado não se limita ao domínio de ferramentas. A preparação envolve também interpretar informações, desenvolver soluções, trabalhar com outras pessoas e manter a capacidade de aprendizado em um cenário de transformação contínua.

Cibersegurança e sustentabilidade entram no grupo de habilidades emergentes

Além das competências já consideradas essenciais, o levantamento identifica áreas que vêm ganhando espaço e podem se tornar diferenciais profissionais nos próximos anos.

A cibersegurança e as redes estão entre essas habilidades emergentes. A expansão dos negócios digitais aumenta a preocupação com a proteção de informações e com a segurança dos sistemas. Por essa razão, a demanda por conhecimentos relacionados à segurança da informação é apresentada como uma tendência de crescimento.

A gestão ambiental e a sustentabilidade também aparecem nesse grupo. O material relaciona a relevância dessas competências ao interesse crescente das empresas por práticas sustentáveis, o que amplia a presença do tema em diferentes setores da economia.

Outra área citada é o design associado à experiência do usuário. A forma como consumidores interagem com produtos, serviços e plataformas digitais é tratada como um fator de diferenciação para marcas e empresas. Nesse contexto, o design centrado nas necessidades do usuário ganha importância.

A curiosidade e o aprendizado contínuo completam a lista de competências emergentes. Em um mercado sujeito a alterações frequentes, a capacidade de buscar novos conhecimentos é apresentada como parte da preparação profissional de longo prazo.

Competências básicas continuam importantes, mas perdem força como diferencial

O estudo também aponta habilidades que tendem a perder relevância relativa no mercado de trabalho do futuro. Isso não significa que elas deixem de ser necessárias, mas que podem deixar de ocupar o centro das estratégias de desenvolvimento profissional.

Leitura, escrita e matemática básica são citadas nesse grupo. Embora permaneçam fundamentais, essas competências não são apresentadas como os principais diferenciais competitivos para 2030. O material atribui essa mudança ao avanço de ferramentas automatizadas capazes de assumir parte dessas funções.

A destreza manual e a precisão também aparecem entre as habilidades com menor prioridade. A justificativa está no avanço da automação em tarefas que exigem movimentos físicos detalhados, especialmente em atividades da manufatura e da indústria.

A atenção aos detalhes e a precisão são mencionadas novamente como capacidades que, apesar de ainda terem utilidade em determinadas áreas, podem perder espaço em tarefas nas quais sistemas automatizados e soluções de inteligência artificial já desempenham funções relacionadas à conferência e ao controle.

Quatro grupos ajudam a interpretar a mudança

A divisão proposta pelo levantamento permite observar o movimento esperado para as competências profissionais. As habilidades essenciais reúnem capacidades que já são valorizadas e devem continuar crescendo em importância. As emergentes representam áreas em expansão, com potencial de se tornar diferencial para os trabalhadores.

As habilidades estáveis correspondem às competências que mantêm relevância, enquanto as classificadas como fora de foco tendem a receber menos atenção nas prioridades de formação. A organização não elimina o valor das habilidades incluídas no último grupo, mas indica uma mudança no peso relativo de cada uma delas diante da automação e da digitalização.

Esse mapa também mostra que a transformação tecnológica não é apresentada apenas como uma substituição de tarefas. O estudo combina conhecimentos técnicos, habilidades cognitivas e aspectos comportamentais na composição do profissional esperado para o período.

Aprendizado contínuo é apontado como estratégia de preparação

A mensagem central apresentada no material é que a formação profissional precisará acompanhar a velocidade das mudanças no trabalho. Nesse cenário, o aprendizado contínuo aparece como uma das principais formas de manter a capacidade de adaptação.

O desenvolvimento de pensamento analítico, criatividade, liderança e alfabetização digital é indicado como parte da preparação para novas oportunidades. A capacidade de utilizar tecnologias deve ser acompanhada pela compreensão dos problemas, pela tomada de decisões e pela interação com equipes e usuários.

Para as empresas, o estudo relaciona a preparação para 2030 à capacitação dos funcionários. A formação interna é apresentada como uma maneira de desenvolver equipes mais aptas a lidar com as exigências da economia digital.

O cenário descrito pelo Fórum Econômico Mundial coloca a reinvenção profissional no centro da mudança. Ao lado de inteligência artificial, dados e automação, competências como flexibilidade, autoconsciência, curiosidade e influência social passam a integrar a preparação esperada para o mercado de trabalho.

Sobre o autor

Tiago Paiva é publicitário e estudou liderança da inovação no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e direção de projetos complexos em Cambridge. Atuou à frente da Gerência de Projetos Estratégicos no Ministério da Educação e foi membro do Conselho da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP).

Paiva liderou o planejamento de projetos como Ronda no Bairro e Modernização do Transporte Público em Manaus. Como diretor-presidente da Processamento de Dados do Amazonas, gerenciou um orçamento de R$ 350 milhões, com prestação de contas e transparência financeira. Também coordenou inovações técnicas e administrativas.

Como coordenador-geral de Modernização da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), participou da gestão de incentivos fiscais do Polo Industrial de Manaus. Também liderou projetos estaduais no governo do Amazonas, com atuação relacionada ao desenvolvimento sustentável, à gestão de projetos, à coordenação de equipes e à inovação.

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