O Cerrado no Tocantins influencia diretamente a vida da população e a economia do estado. A vegetação nativa participa da formação e da manutenção dos rios, sustenta atividades agropecuárias, oferece produtos usados por comunidades tradicionais e contribui para o turismo de natureza.
Por isso, preservar o bioma não é apenas uma medida ambiental. A conservação do Cerrado também está relacionada à segurança hídrica, à produção de alimentos, à geração de renda e à qualidade de vida dos tocantinenses.
Água para consumo, produção e energia
Conhecido como “berço das águas”, o Cerrado abriga nascentes e áreas de recarga que alimentam importantes bacias hidrográficas, entre elas a do Tocantins-Araguaia. As raízes profundas da vegetação nativa ajudam a infiltrar a água da chuva no solo e contribuem para a manutenção da vazão dos rios ao longo do ano. (gov.br)
Na prática, essa função interfere no abastecimento das cidades, na irrigação, na criação de animais e em outras atividades que dependem de rios, córregos e reservatórios. Quando a vegetação é retirada, aumentam os riscos de erosão, assoreamento e redução da disponibilidade de água.
Agricultura e pecuária
O Tocantins faz parte do Matopiba, região formada também por Maranhão, Piauí e Bahia que passou a concentrar áreas de expansão agrícola. Dados do IBGE mostram que o Cerrado teve crescimento expressivo das áreas agrícolas entre 2000 e 2018, com avanço de culturas como soja, algodão e outros grãos nessa fronteira produtiva. (agenciadenoticias.ibge.gov.br)
Essa produção movimenta transporte, armazenagem, comércio, serviços e empregos. Ao mesmo tempo, a atividade rural precisa ser planejada para reduzir impactos sobre nascentes, matas ciliares, solos e áreas de preservação. O uso responsável da terra é essencial para que a produção continue no longo prazo.
Produtos da biodiversidade e renda local
A biodiversidade do Cerrado também está presente em atividades de extrativismo e na produção comunitária. No Tocantins, o babaçu integra cadeias produtivas ligadas ao trabalho de quebradeiras e comunidades rurais. No Jalapão, o capim-dourado é associado ao artesanato e à identidade cultural da região. O plano federal de prevenção e controle do desmatamento no bioma cita essas atividades como exemplos da sociobioeconomia do Cerrado. (gov.br)
Esses produtos podem gerar renda sem depender exclusivamente da conversão da vegetação nativa, desde que a coleta, o manejo e a comercialização respeitem regras ambientais e valorizem o trabalho das comunidades.
Turismo e cultura
Veredas, rios, cachoeiras, chapadões e áreas preservadas atraem visitantes e fortalecem o turismo de natureza. O Ministério do Turismo destaca que paisagens do Cerrado, incluindo atrativos do Tocantins, combinam biodiversidade, aventura, cultura e gastronomia. (gov.br)
Para o visitante, atitudes simples ajudam a proteger o bioma: não deixar lixo, evitar a retirada de plantas e animais, respeitar trilhas e comunidades locais e seguir as orientações dos responsáveis pelas áreas visitadas.
Como a população pode contribuir
O cuidado com o Cerrado começa pelo uso consciente da água, pela prevenção de queimadas, pelo descarte correto de resíduos e pelo apoio a produtores e artesãos que adotam práticas sustentáveis. Também é importante acompanhar ações de recuperação de nascentes, preservação de matas ciliares e combate ao desmatamento.
Manter o Cerrado em pé significa proteger recursos que já fazem parte do cotidiano dos tocantinenses. A economia do estado depende tanto da produção quanto dos serviços ambientais oferecidos pela vegetação nativa.