Os frutos do Cerrado ocupam espaço cada vez mais evidente na culinária do Tocantins. Buriti, pequi, baru, jatobá, cagaita, murici e babaçu aparecem em receitas tradicionais, produtos artesanais e criações apresentadas em festivais e eventos gastronômicos do estado.
Mais do que ingredientes, esses frutos ajudam a expressar a identidade alimentar tocantinense. A culinária regional reúne influências indígenas, sertanejas, mineiras, goianas e nordestinas, combinadas ao uso de peixes de rio, carnes, raízes e produtos encontrados no bioma. O pequi, por exemplo, é utilizado tanto em preparações salgadas quanto doces e está associado à memória culinária de moradores e visitantes. (ivt.coppe.ufrj.br)
Pequi aparece em pratos doces e salgados
De aroma e sabor marcantes, o pequi é um dos frutos mais conhecidos do Cerrado. No Tocantins, ele pode acompanhar arroz, frango e outras preparações salgadas. Também é usado em conservas, molhos, recheios e receitas desenvolvidas para ampliar as possibilidades de aproveitamento da fruta.
Em maio de 2025, a Unitins apresentou uma cartilha com 19 receitas à base de pequi. O material reúne 12 opções salgadas e sete doces, com técnicas de preparo e processamento elaboradas a partir de um projeto desenvolvido com a comunidade de Colméia. (unitins.br)
Buriti é usado em doces, bebidas e sobremesas
O buriti também tem presença importante na gastronomia tocantinense. A polpa pode ser transformada em doces, sucos, sorvetes, mousses e outras sobremesas. Em eventos gastronômicos realizados em Palmas, o fruto já foi utilizado em mousse e em preparações que combinam seu sabor intenso com ingredientes de uso cotidiano, como leite condensado e creme de leite.
Além da polpa, a palmeira do buriti é associada a diferentes formas de aproveitamento. Suas fibras são utilizadas em peças artesanais, enquanto o fruto e seus derivados podem gerar renda para produtores, cozinheiros e comunidades que trabalham com produtos da sociobiodiversidade.
Ingredientes regionais ampliam a variedade
Outros frutos também aparecem em receitas apresentadas no estado. Em uma atividade gastronômica realizada no distrito de Taquaruçu, em Palmas, foram divulgadas preparações como geladinho de murici, sembereba de buriti, mousse de jatobá e panqueca de babaçu. As opções mostram como ingredientes do Cerrado podem ser incorporados a receitas simples e conhecidas do público. (palmas.to.gov.br)
O baru, a cagaita, o cajuí e a mangaba seguem a mesma lógica de aproveitamento. Podem ser usados em farinhas, castanhas, geleias, bebidas, doces, sorvetes e acompanhamentos. O beneficiamento amplia a durabilidade dos alimentos e cria alternativas ao consumo in natura, especialmente durante períodos diferentes da safra.
Gastronomia valoriza biodiversidade e produção local
A presença dos frutos do Cerrado em cozinhas, feiras e festivais ajuda a aproximar consumidores da biodiversidade regional. Também contribui para divulgar técnicas tradicionais e estimular o uso de matérias-primas produzidas ou coletadas no próprio território.
Ao transformar frutos nativos em pratos e produtos com valor agregado, a gastronomia tocantinense fortalece uma cadeia que envolve agricultores, extrativistas, cozinheiros, artesãos e pequenos empreendedores. O resultado é uma cozinha que preserva referências culturais, estimula novas receitas e mantém os sabores do Cerrado presentes na mesa do Tocantins.