sábado, 26 de setembro de 2026
CIDADES

Dianópolis: história e belezas naturais no sudeste do Tocantins

Dianópolis, no sudeste do Tocantins, combina uma trajetória histórica iniciada no século XVIII com atrativos naturais como a Trilha do Ouro, a Cachoeira do Segredo e a Lagoa Bonita.

Dianópolis, no sudeste do Tocantins, reúne memória histórica, tradições culturais e paisagens naturais que ajudam a explicar a importância do município na região. Com raízes no século XVIII, a cidade preserva referências do período dos aldeamentos indígenas e da exploração do ouro, ao mesmo tempo em que se destaca por trilhas, cachoeiras, lagoas e formações de relevo características do Cerrado.

O início da história local é associado a 1750, quando foi fundado o povoado de São Francisco Xavier do Duro, em uma área ocupada por indígenas da etnia Acroá. O local também ficou conhecido como Missões do Duro. Décadas depois, a exploração mineral impulsionou a ocupação da região, especialmente com a extração de ouro na chamada Mina dos Tapuias.

De São José do Duro a Dianópolis

A localidade passou por diferentes etapas administrativas até ser elevada à categoria de vila, em 26 de agosto de 1884, com o nome de São José do Duro. Em 1938, o município recebeu a denominação de Dianópolis, em referência a quatro mulheres conhecidas como “dianas”, segundo o histórico municipal reunido pelo IBGE.

A trajetória da cidade também foi marcada por conflitos políticos. Em 16 de janeiro de 1919, nove homens foram mortos em um episódio que ficou conhecido como Barulho do Duro, Chacina dos Nove ou Chacina do Duro. A memória do acontecimento permanece associada à Capela dos Nove e integra o patrimônio histórico local. A prefeitura instituiu o Dia do Barulho, celebrado em 16 de janeiro.

Para conhecer parte desse passado, o visitante pode incluir no roteiro o Museu Municipal Manoel Aires Cavalcante, que reúne objetos, registros e referências culturais do município. Outro ponto de interesse é a Casa Dourada, ligada ao artesanato produzido com capim-dourado e ao trabalho da Associação Dianopolina de Artesãos.

Trilhas, cachoeiras e paisagens do Cerrado

Entre os atrativos naturais está a Trilha do Ouro e Cachoeira do Segredo, localizada a cerca de 7 quilômetros da área urbana, conforme informações do Guia da Cidade de Dianópolis. O percurso conserva vestígios de antigos canais relacionados à mineração e leva a áreas de queda-d’água cercadas por vegetação nativa.

A Lagoa Bonita, situada na divisa entre Dianópolis e Novo Jardim, é descrita pelo município como uma lagoa natural de águas cristalinas, rodeada por mata. O local também funciona como ambiente de reprodução de peixes e ponto de observação de aves. Para visitar a área, é recomendada a contratação de agência local.

Outro destaque é a região da Cachoeira da Ré, em um vale de origem cárstica com cavernas, sumidouros, ressurgências e trechos de mata preservada. O passeio exige acompanhamento de guia ou condutor especializado e o uso de equipamentos de proteção, de acordo com as orientações municipais.

Turismo associado à preservação

A combinação entre história e natureza posiciona Dianópolis como uma das referências turísticas das Serras Gerais. A atividade, porém, depende de planejamento e cuidado ambiental. A legislação municipal prevê o credenciamento de empreendimentos turísticos e estabelece diretrizes para conciliar visitação, preservação da biodiversidade e proteção do patrimônio histórico e cultural.

Assim, Dianópolis oferece ao visitante uma experiência que vai além dos cenários naturais. As trilhas e cachoeiras revelam a paisagem do sudeste tocantinense, enquanto museus, construções, tradições religiosas e locais de memória ajudam a contar a formação de uma cidade cuja identidade foi moldada pelo encontro entre povos indígenas, mineração, conflitos históricos e cultura regional.